Thursday, August 10, 2006

TEMPO ESQUECIDO

Ultrapasso os traços das escadas pintadas e
Esqueço-me do tempo dentro do quadro encorpado...
Entro no templo da veneração e bebo o arrependimento
Como a textura do vinho que trespassa o cálice do pecado,
Na absolvição obsoleta da mão na mão dos humanos.
Confesso os joelhos na madeira sagrada da passagem
E acendo as mãos no pavio que arde na minha boca.
Deixo a esmola do silêncio e recuso o corpo no meu corpo.
Saio do templo e regresso aos passos que se pintaram,
O caminho da cruz entreaberta de tempo esquecido.

3 Comments:

Blogger Ana Maria said...

Mónica como sabes sou tua fã talvez pela beleza com que enquadras o sofrimento nas tuas letras e as imagens que nos beijam de uma forma especial; mas todos nós, como sabes, temos sempre preferencias porque nos tocam de uma forma intensa como este poema "Tempo esquecido" que é um dos mais belos poemas que tenho lido nos últimos tempos.
parabéns e muitas palmas e vénias
e jinhos

3:16 AM  
Blogger MiguelGomes said...

Sim, belo...

Jump.

Fica bem,
Miguel

9:08 AM  
Blogger Assim said...

Feliz de quem dá Luz através da boca, a sua palavra ilumina-se! Parabéns.

3:00 PM  

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